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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Torcidas Distorcidas

07/09/12, Estádio do Morumbi - São Paulo - Brasil 1x0 África do Sul



10/09/12, Estádio do Arruda - Recife - Brasil 8x0 China



Em comum entre as duas atuações, apenas o resultado de vitória. O futebol apresentado, bem como o comportamento da torcida, foram bem distintos em ambos os jogos. Afinal, a seleção jogou melhor porque a torcida ajudou ou a torcida ajudou porque a seleção jogou melhor?

Qualidade dos adversários à parte (sim, a China é bem pior), a seleção jogou melhor ontem onde teve apoio incondicional da torcida pernambucana, desde a sua chegada a Recife, é bom frisar. O oposto ocorreu em São Paulo no feriado da Independência: futebol ruim aliado a uma torcida hostil. Sobram justificativas e teses para comportamentos tão diferentes dos torcedores:

- Os torcedores de fora do Sul-Sudeste raramente têm a oportunidade de ver os (pseudo)craques brasileiros em ação, seja na seleção, muito menos nos seus clubes.

- O torcedor paulistano é mais exigente que o nordestino.

- O torcedor nordestino que assistiu à seleção é "torcedor". O torcedor paulista que assistiu à seleção é "expectador".

- O interesses "clubistas" dos torcedores paulistanos estavam acima do desejo de uma boa apresentação da seleção.

- Os paulistanos têm senso crítico e não toleram a "Seleção da CBF". Os torcedores nordestinos são mais inocentes e idolatram a "Seleção da CBF".

... (e por aí vai).

Torcedor, antes de tudo, é um consumidor. Ele paga (caro) para assistir a um evento e isso lhe dá o direito de julgar a qualidade do mesmo. Aplausos e vaias, portanto, são plenamente aceitáveis sob esse aspecto. O torcedor paulistano, como qualquer outro, tinha todo o direito de vaiar um espetáculo que não lhe agradava, ainda mais um espetáculo com um componente emocional tão forte como é o futebol.

O que não me parece muito coerente é sair do conforto de casa, pegar ônibus/metrô/carro, pagar passagem/combustível/estacionamento, pagar ingresso (repito: caro) predisposto a hostilizar um evento, seja ele qual for. As vaias no Morumbi surgiram antes dos 15 minutos de jogo. As vaias a Damião, os gritos de "Luís Fabiano", as críticas a Neymar surgiram na metade inicial do primeiro tempo. Ninguém pode julgar a qualidade de um espetáculo, seja ele um filme, uma peça de teatro ou um jogo de futebol, com menos de 1/4 de transcorrido.

"Ah, mas essa seleção da CBF/Nike é uma vergonha, é vitrine de jogador de empresários, só joga amistosos caça-níqueis com seleções fracas. Tem que ser vaiada mesmo".O presidente do seu clube faz tudo isso e nem assim você vaia seu time desde o início. Seu clube também elege a CBF, sabia disso?

É notório que a seleção de Mano não caiu nas graças de nós, brasileiros. O choro do técnico e dos jogadores de que eles precisam de "carinho" do torcedor não procede, pois eles não tem dado "qualidade" em troca, isso é notório. Mas, se a seleção de Mano não me agrada, eu posso desprezá-la. Seria a melhor forma de manifestar minha indignação e protesto.

Se for pra gastar 100 paus pra isso, prefiro fazê-lo de casa comendo um bom churrasquinho e tomando minha cervejinha. 

US Open e Seleção Brasileira

O US Open 2012 chegou ao fim na noite desta segunda-feira com a final do masculino entre Novak Djokovic e Andy Murray. A partida foi fantástica e, ao final de 4:54h de jogo, o melhor saiu vencedor. E o melhor no caso do Tênis não é algo estático ou conservador: pode mudar de partida a partida ou mesmo durante a mesma. Dependerá  principalmente de três fatores: técnica, físico e emocional. Estes três fatores oscilam ao longo da disputa e aquele que consegue se manter mais focado sai vencedor. Por isso, a posição do jogador no ranking da ATP não é garantia de superioridade em um jogo de tamanha importância.   E observou-se este "revés" também na final feminina ocorrida no domingo: Serena Williams venceu Victoria Azarenka, atual número 1 do mundo. Porém, quando a distância no ranking é grande, é comum verificar a superioridade - afinal, ninguém é Top 5 à toa. 

Fonte: US Open.org

Em resumo, o tênis é um dos esportes em que o melhor vence, onde pouco pode-se atribuir a sorte ou azar. É um bom jogando contra outro melhor ainda. E aí vem a intenção do link do título deste post, visto que o futebol é um dos esportes em que nem sempre o melhor vence, até mesmo porque a percepção de melhor é  mais difícil de se definir, devido aos vários fatores e interesses envolvidos em torno de cada jogador em campo (ou não).

A Seleção Brasileira é, talvez, a única no mundo que leve essa alcunha de seleção, em que deveriam constar apenas os melhores. E, para se conseguir um resultado a longo prazo, não necessariamente tem-se que reunir os melhores deste exato momento, como defende piamente o Mano Menezes, mas os melhores e que possam compor a melhor equipe. Afinal, trata-se de um esporte coletivo. Sem dúvidas também, a coletividade do time depende muito do técnico que tem a tarefa de aproveitar as qualidades de cada jogador da melhor maneira possível.

Gols de Hulk e Neymar, 4° e 5° dos 8 gols do Brasil 

Bom, depois de tanta filosofia, vimos mais um jogo sem sentido da nossa seleção, enfrentando uma equipe sem a menor tradição no futebol - aqui sim a tradição pesa muito mais do que no Tênis. Após ter tido dificuldades em um amistoso contra outra seleção de pouca expressão em pleno trabalho de preparação para a Copa, as demais equipes nacionais estão enfrentando duras batalhas nas suas respectivas eliminatórias. Duvido muito que essa partida, com uma vitória por 8 a 0, sirva de parâmetro para o técnico observar e tomar alguma decisão sobre qualquer um dos jogadores em campo. E o tempo vai passando e 2014 se aproximando.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Mania de Perseguição

Posso estar com mania de perseguição, afinal quem não ficaria satisfeito com a convocação do melhor jogador do seu time para a Seleção Brasileira? Não coloco em xeque o merecimento da convocação de Ronaldinho Gaúcho para vestir a amarelinha, mas sim o momento e o que essa convocação pode representar.
A tônica do trabalho de Mano Menezes tem sido a renovação do quadro da seleção, no intuito de conseguir montar uma equipe forte para a disputa da Copa de 2014. É um trabalho que aprovo, mas que já poderia estar utilizando um mix de jogadores experientes com os garotos desde o começo. A convocação desses jogadores mais rodados poderia ter dado o ingrediente que faltou no jogo contra o Paraguai na Copa América, por exemplo.
No caso específico de Ronaldinho Gaúcho, trata-se de um jogador que, mesmo em seus melhores dias, nunca apresentou o que se esperava dele na seleção. Após a estreia espetacular, no tempo em que ainda jogava no Grêmio, o único momento de genialidade do craque com a amarelinha foi no jogo contra Inglaterra na Copa de 2002.
A volta para o Flamengo pareceu para muitos, inclusive para mim, mais um caso em que o jogador estaria voltando para o Brasil apenas para estar mais perto de casa e frequentar as rodas de samba. Entretanto, o jogador vem mostrando uma evolução surpreendente no Brasileirão, depois de muitas dúvidas sobre a sua real contribuição para o clube. E essa contribuição surpreendente do jogador, aliado ao bom grupo que o clube conseguiu reunir, colocou o Flamengo em condição de favorito ao título, disputando a ponta da tabela com o Corinthians neste momento. E é justamente quando o técnico, que tem uma afinidade assumida com o clube paulista, resolve convocar o jogador para um amistoso contra Gana, desfalcando o clube carioca por, pelo menos, duas rodadas e podendo deixar o jogador de fora justamente do confronto direto entre os dois clubes.
A quais conclusões podemos chegar?

domingo, 5 de junho de 2011

Pelada de Luxo

Zidane, Figo, Redondo, Davor Suker, Amavisca e Butragueño. Paul Breitner, Andreas Brehme, Paulo Sérgio, Augenthaler, Niko Kovac e Élber. Ex-craques (alguns nem tanto) de Real Madrid e Bayern, que hoje colocaram a rivalidade européia de lado, e jogaram um amistoso beneficente pelo desenvolvimento educacional na África. A "Corazón Classic Match 2011" foi disputada no Santiago Bernabéu e contou com a presença de 66 mil pessoas no estádio.

Jogos desse gênero são bastante comuns ao final de cada temporada, aqui no Brasil nem se fala. É "Amigos do Fulano x Amigos do Beltrano" em tudo que é canto. O que chama a atenção nesse caso é o tipo de apelo utilizado para atrair o público. Enquanto por aqui é comum você assistir a uma mescla de jogadores, ex-jogadores, atores, cantores, pilotos, gato, cachorro, periquito... no Bernabéu jogaram ex-jogadores, bastante identificados e que fizeram história por seus clubes. Isso dá uma tônica diferente tanto à qualidade do jogo (que deixa de ser uma pelada) quanto ao público presente (o verdadeiro torcedor de arquibancada e não os fãs de A, B ou C).

Claro que, no final das contas, o que importa realmente é o propósito das partidas, que quase sempre é arrecadar fundos/alimentos para determinada causa humanitária, o que não deixa de ser louvável. Mas para o público que realmente gosta e acompanha o futebol mais de perto, é bem mais legal assistir aos seus ídolos do que penetras de plantão maltratando a pobre da bola.

Ah, sim, o placar: Real Madrid 8x3 Bayern.

sábado, 4 de junho de 2011

O que pensar?

Amistosos da seleção despetram diferentes reações nos brasileiros que gostam de funtebol, dentre eles, ceticismo dos que acham que é história pra boi dormir, que é apenas caça-niquel; outros que pensam que tudo é festa e jogo da seleção é mais uma oportunidade para tomar uma cerveja; e, outros como, provavelmente, o técnico, usam os amistosos para testar os jogadores. Sob essa ótica, tentei acompanhar o jogo do Brasil, analisando alguns jogadores cujas convocações foram surpresa ou falta de opção e outros que realmente são promessas. Também, é sempre bom observar a tendência do estilo de jogo do técnico, para saber se vai ser mais retranqueiro, se vai priorizar o ataque ou modificar a postura dentro de campo.

Esse amistoso contra a Holanda poderia ter um atrativo de revanche, de se estar jogando no Brasil, de ser um clássico, mas como se trata de um mero amistoso, vamos nos ater aos pontos citados anteriormente. Sobre os convocados, façamos uma breve análise sobre os convocados:

Desde quando vi o nome de Fred na lista de Mano, não entendi o porque. Trata-se de um jogador que não se encontra em seu melhor nível e que parece não ter grandes ambições na carreiram além do dinheiro. Em contrapartida, fiquei a pensar em quem poderia ocupar melhor essa posição de centro-avante. Temos hoje uma promessa do Inter, Leandro Damião, mas que não sabemos se ainda será realmente um grande centro-avante ou se vai ficar apenas na promessa. Ou seja, não temos uma opção definida para a posição.

Na zaga, temos um excelente nome que é o Thiago Silva, mas temos a pendência de encontrar um nome certo para substituir Lúcio, que tem muitos defeitos, mas também tem qualidades incontestáveis. Talvez fosse o caso do Mano começar o trabalho com alguém que mesmo não sendo absoluto possa ser uma opção pensando-se em 2014.

Ainda na defesa, temos atualmente uma situação diferente de tempos atrás: estamos muito bem servidos na lateral direita com Daniel Alves e Maicon, enquanto André Santos não convence na esquerda. E, mais uma vez, temos a questão crucial: ele não é o lateral esquerdo ideal, mas quem pode substituí-lo incontestavelmente?

Dentre outras observações que pude fazer durante o jogo, temos atualmente a situação de Robinho: nunca será o craque que esperávamos que fosse ser um dia, mas também é um jogador que se desenvolveu bem taticamente desde que foi para a Europa e funciona bem - não mais como um atacante, mas como um meia avançado. Será que Kaká voltará ao nível de titular absoluto no meio da seleção? Pensando em 2014, temos em Lucas a esperança de termos novamente um craque no meio de campo de nossa seleção. Encontrando-se uma maneira de extrair o melhor dele e de Ganso juntos, teremos um senhor meio-campo de criação.

Completando o ataque, temos Neymar que indubitavelmente é a maior promessa do nosso futebol atual. Apesar do jogo apagado de hoje, é perceptível o toque diferenciado na bola.

Finalizando, a Copa América está aí e teremos uma boa oportunidade para avaliar o trabalho de Mano Menezes até o momento, que tem o grande desafio de renovar o nosso quadro de jogadores da seleção, visando o título em 2014.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Convocação (Quase) sem Novidades

O técnico da seleção brasileira divulgou hoje a lista dos convocados para o amistoso contra a Estônia. Como já era de se esperar o treinador manteve praticamente a mesma equipe que atuou e venceu a Copa das Confederações na África do Sul em Junho deste ano. Por enquanto nada dos Ronaldos, que ainda não demonstraram capacidade física e técnica para voltarem a usar a canarinho. O curioso foi Ronaldinho Gaúcho aparecer na divulgação da partida, feita pela Federação de Futebol da Estônia.


Imagem: Divulgação do amistoso na Estônia

Ocorreram duas mudanças em relação ao time que disputou a última competição que merecem comentários: a volta do lateral esquerdo Marcelo no lugar de Kleber, anteriormente sugerida por colunistas deste blog (#1 , #2), e a surpresa, mas não desmerecida, convocação de Diego Tardelli, ocupando o lugar de Alexandre Pato. O atacante do Atlético-MG vem se destacando na condição de goleador e tem se envolvido cada vez menos em polêmicas, como eracostume do jogador quando mais jovem. Dunga usa bem a sua premissa de testar jogadores e faz uma aposta interessante.

Marcelo já foi testado anteriormente na seleção e teve atuações regulares. Porém, com as atuações fracas de Kleber e a ainda pouca experiência de André Santos, voltou a ser o principal nome brasileiro para a posição. Espero que possa se firmar e acabar com a indefinição em relação à lateral esquerda após a saída de Roberto Carlos.

Até a Copa do Mundo não deveremos ver mudanças radicais nas convocações, apenas ajustes finos nas posições e eventuais trocas entre jogadores que apresentarem queda de rendimento e outros que, por sua vez, apresentarem futebol para merecerem estar na seleção. Afinal, não se costuma mexer em time que está ganhando. Se Ronaldinho Gaúcho aproveitar bem a condição de principal jogador que o Milan está oferecendo a ele, deverá ter a oportunidade de disputar novamente uma copa do mundo. Caso contrário, dificilmente voltará a merecer usar a canarinho. Em relação ao Fenômeno ainda é cedo para qualquer prognóstico positivo a seu respeito.

Confira a convocação abaixo:

GOLEIROS

Julio César - Inter de Milão
Gomes - Tottenham Hotspur

LATERAIS

Daniel Alves - Barcelona
André Santos - Fenerbahçe
Maicon - Inter de Milão
Marcelo - Real Madrid

ZAGUEIROS

Lúcio - Inter de Milão
Juan - Roma
Luisão - Benfica
Miranda - São Paulo

MEIAS

Felipe Melo - Juventus
Elano - Manchester City
GIlberto Silva - Panathinaikos
Josué - Wolfsburg
Julio Baptista - Roma
Kaká - Real Madrid
Kleberson - Flamengo
Ramires - Benfica

ATACANTES

Robinho - Manchester City
Diego Tardelli - Atlético-MG
Luis Fabiano - Sevilla
Nilmar - Villarreal