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domingo, 5 de junho de 2011

Pelada de Luxo

Zidane, Figo, Redondo, Davor Suker, Amavisca e Butragueño. Paul Breitner, Andreas Brehme, Paulo Sérgio, Augenthaler, Niko Kovac e Élber. Ex-craques (alguns nem tanto) de Real Madrid e Bayern, que hoje colocaram a rivalidade européia de lado, e jogaram um amistoso beneficente pelo desenvolvimento educacional na África. A "Corazón Classic Match 2011" foi disputada no Santiago Bernabéu e contou com a presença de 66 mil pessoas no estádio.

Jogos desse gênero são bastante comuns ao final de cada temporada, aqui no Brasil nem se fala. É "Amigos do Fulano x Amigos do Beltrano" em tudo que é canto. O que chama a atenção nesse caso é o tipo de apelo utilizado para atrair o público. Enquanto por aqui é comum você assistir a uma mescla de jogadores, ex-jogadores, atores, cantores, pilotos, gato, cachorro, periquito... no Bernabéu jogaram ex-jogadores, bastante identificados e que fizeram história por seus clubes. Isso dá uma tônica diferente tanto à qualidade do jogo (que deixa de ser uma pelada) quanto ao público presente (o verdadeiro torcedor de arquibancada e não os fãs de A, B ou C).

Claro que, no final das contas, o que importa realmente é o propósito das partidas, que quase sempre é arrecadar fundos/alimentos para determinada causa humanitária, o que não deixa de ser louvável. Mas para o público que realmente gosta e acompanha o futebol mais de perto, é bem mais legal assistir aos seus ídolos do que penetras de plantão maltratando a pobre da bola.

Ah, sim, o placar: Real Madrid 8x3 Bayern.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A emoção das Copas

É inegável que os campeonatos de pontos corridos normalmente premiam o melhor time. São necessários planejamento e elenco (não só 11 titulares). Talvez um pouco de sorte para que sua equipe não seja fortemente afetada por lesões, erros arbitrais grotescos ou resultados "arranjados". Enfim, no fim das contas, quase sempre a equipe mais bem planejada vence, enquanto outras equipes com más administrações (os chamados "grandes") tornam-se meros figurantes, ou até brigam para não cair de divisão. O Brasileirão é uma prova disso. O São Paulo, atual tricampeão, briga novamente pelo título. Na parte de baixo, Fluminense e Botafogo estão doidinhos para visitar novamente a Segundona.

Se por um lado o campeonato de pontos corridos é o mais justo e "previsível", os torneios de mata-mata são os mais emocionantes e surpreendentes para o torcedor. Nas chamadas Copas, o torcedor daquele clube pequenininho, lá do interior, pode sonhar em bater um grande da capital. Pode eventualmente até sonhar com o título. A Copa do Brasil já nos mostrou várias dessas surpresas. Santo André, Paulista e Juventude (esse já não tão pequeno assim) sendo campeões em um Maracanã lotado. O ASA de Arapiraca eliminando o Palmeiras ou o Corinthians-AL eliminando o Atlético-PR. Na Inglaterra, por exemplo, a FA Cup do ano passado começou com 762 times(!!!), uma boa parte deles realmente amadores e que dão um charme a mais à competição. Em 2004, o Millwall chegou até a final, decidindo o título com o poderoso Man Utd (perdeu por 3x0).

Hoje quem reservou a surpresa da vez foi o modesto Alcorcón, da terceira divisão espanhola. Jogando em casa, contra o Real Madrid, aplicou 4x0 nos merengues. O Real jogou com um time misto mas que tinha Albiol, Guti, Benzema, Van Nistelroy, Raúl, Van der Vaart, ou seja, não há desculpas. Já se fala na Espanha que essa derrota entra no rol das piores da história do clube. Sorte do Real que o regulamento da Copa do Rei é benevolente com os grandes e dá o direito à partida de volta (na Europa isso normalmente só acontece nas fases mais decisivas).

Ainda não sabemos se o Alcorcón conseguirá de fato eliminar o gigante branco mas que a façanha já entrou pra história, isso já. Ao Real, resta agora colocar todos os seus galáticos em ação para reverter o resultado (não será fácil) e não cair na primeira fase de um torneio que já se mostrou maldito para eles. Não vencem desde 1993 e em 2002, ano do centenário do clube, perderam a final para o Deportivo jogando em casa.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Brasileirão e Estréia de Kaká no Real Madri

Mesmo com o empate em 1 a 1 contra o Grêmio em casa, o Palmeiras continua na liderança do Brasileirão com 35 pontos. O Goiás está em segundo com 32 pontos, após a vitória em casa contra o Flamengo por 3 a 2 e o Atlético-MG está na cola com 31 pontos, mas com um jogo a menos.
O que mais vem chamando a atenção nas últimas rodadas é a recuperação do São Paulo, que começou o campeonato mal das pernas, mas, com a entrada de Ricardo Gomes no lugar de Muricy Ramalho, vem conquistando excelentes resultados. Com a vitória por 3 a 1 sobre o Botafogo na última rodada, o tricolor paulista conquistou sua quarta vitória consecutiva e uma seqüência de seis jogos sem derrota - cinco vitórias e um empate. Com isso o time já ocupa a quinta colocação na tabela do campeonato.

Enquanto não começa a temporada 2009 - 2010 do futebol europeu, acompanhamos as transferências bastante interessantes, importantes e caras que costumam acontecer nesse período e seus desdobramentos.

Certamente o que mais ocupou as manchetes da imprensa nacional foi a nova geração de galáticos do Real Madri, que contou com a contratação praticamente simultânea de Kaká e Cristiano Ronaldo, seguidos de Benzema e Xabi Alonso. Hoje, Kaká e Xabi Alonso estréiam no time merengue em um amistoso contra o Toronto FC no Canadá e poderemos ver a primeira partida com os craques brasileiro e português jogando lado a lado. Com a nova geração de galáticos, o Real Madri espera igualar o feito do rival Barcelona, que conquistou o Tripete - Campeonato Espanhol, Copa do Rei e Liga dos Campeões - na temporada 2008 - 2009.

O futebol espanhol certamente concentrará grande parte das atenções da imprensa desportiva na temporada, pois contará com pelo menos três fortes candidatos à bola de ouro: Messi, Kaká e Cristiano Ronaldo, além de Ibrahimovic recém contratado pelo time do Camp Nou.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

A nova galáxia merengue

€160.000.000. Essa é bagatela que Florentino Pérez, novo (velho) presidente do Real Madrid eleito há exatos 12 dias, já tirou da carteira para trazer os 2 maiores craques do futebol mundial disponíveis no mercado: Kaká e Cristiano Ronaldo. E isso é só o começo. Outros jogadores de valores bastante proibitivos ainda estão na mira blanca: Albiol, Villa e Silva do Valência, Ribéry do Bayern Munchen, Xabi Alonso do Liverpool...
Em uma época de crise mundial tão profunda, soa até imoral negociações desse quilate. Será?
A primeira geração galática, com Figo, Zidane, Ronaldo e Beckham, não se mostrou um total fracasso esportivo. Da temporada 2000-2001 (chegada de Figo) a 2006-2007 (saída de Ronaldo e Beckham) foram 3 títulos espanhóis, 2 Supercopas da Espanha, 1 Liga dos Campeões da Europa, 1 Mundial de Clubes e 1 Supercopa Européia. Devido à indisciplina e vaidades próprias de um vestiário desse quilate, esse modelo não se mostrou esportivamente sustentável e sucumbiu após 3 anos de jejum de títulos.
Entretanto, do ponto de vista econômico, a galáxia madrileña foi um sucesso. Excursões milhonárias, amistosos a preço de ouro, milhões de euros ganhos em publicidade, direitos de imagem dos jogadores, entre outros. Estima-se que só David Beckham trouxe aos cofres do Real algo em torno de €500 milhões de euros (ele custou pouco mais de €40 milhões). Fica evidente que craques desse calibre podem não ser sinônimo de resultados dentro de campo mas, indubtavelmente, são um sucesso fora dele.
Alguns fatores contribuem para o Real Madrid conseguir tantos craques, além, é claro, da conta corrente polpuda:
- A aura de time dos sonhos que ele possui.
Maior vencedor do século XX, é a "menina dos olhos" de 10 entre 10 boleiros.

- Madri é uma excelente cidade, sob todos os aspectos.
Para jogadores jovens, então, é uma festa. Cristiano Ronaldo não deve ter pensado muito para querer trocar a fria e cinzenta Manchester por Madri.

- O regime fiscal da Espanha é bem menos voraz que o de outros países.
Na Itália, um salário de €1 milhão a um jogador, custa €2 milhões ao clube. Na Espanha, "apenas" €1,5 milhão. Isso mostra que não foi tão difícil oferecer a Kaká uma proposta mais tentadora do que o que ele recebia no Milan. Um clube tão grande quanto o Real, porém que não tem estádio próprio e que fatura pouco mais da metade do Real (palavras do diretor geral Adriano Galliani).

- O prestígio de Florentino Perez.
5ª maior fortuna da Espanha, Florentino é responsável por 5 das 10 maiores contratações da história do futebol (Cristiano, Zidane, Kaká, Figo e Ronaldo). Bastante influente na capital espanhola, é dono da construtora responsável pela urbanização da área ocupada anteriormente pela Ciudad Deportiva, complexo que pertencia ao Real no início da década e que foi vendido à prefeitura. Coincidência, não?

Não se pode ser hipócrita ao ponto de afimar que futebol é apenas bola na rede. Futebol também é negócio e deve ser encarado como tal. Os clubes devem procurar aliar bons resultados dentro de campo à estratégias comerciais que o permitam ser econômicamente rentáveis, independentemente do que venha a ocorrer dentro de campo.
Não muito longe de Madri, o seu eterno rival Barcelona apenas observa discretamente o mercado de transferências. Uma sondagem com Ibrahimovic aqui... e só. Também não há motivos para loucuras. Após conquistar o triplete na última temporada, façanha inédita pra um clube espanhol, o Barcelona já tem um base excelente à sua disposição e, o que é melhor, com jogadores que não custaram nada ao clube. Do time campeão europeu, 7 jogadores titulares na final foram formados em casa: Valdés, Puyol, Piqué, Busquets, Xavi, Iniesta e Messi. Está mais que provada, portanto, a importância das divisões de base, e que é bem mais barato montar um time campeão fazendo craques em casa do que arrancando-os de outros clubes.
Enfim, o Real precisava dar uma resposta à tríplice coroa do Barça e já começou a agir. São 5 anos de fracasso europeu (sempre queda nas oitavas da Champions) que precisam ser apagados da memória de seus torcedores. Vamos ver se o novo "Floren Team" será capaz de fazê-lo.